19/03/2026

Crónicas do Golfe #4: Material para iniciar

 

Há uma fase muito curiosa na vida de quem começa a jogar golfe.

É aquela em que ainda não sabe bem fazer um swing… mas já passou duas horas na internet a ver drivers novos que prometem mais 30 metros.

Calma. Respire.

A boa notícia é esta: nas primeiras aulas não precisa comprar praticamente nada.

A maioria das escolas e treinadores têm tacos para emprestar.

Aliás, comprar um set completo no primeiro dia é um gesto corajoso… mas estatisticamente perigoso.

Não fosse o golfe um desporto com uma taxa de desistência considerável, e muitas arrecadações por esse país fora já não teriam sacos de golfe novinhos a apanhar pó.

Mas há um pequeno passo que quase todos acabam por dar cedo: a luva.

Sim, no golfe usa-se apenas uma luva.

E sempre na mão não dominante.

Ou seja:

destros → luva na mão esquerda

canhotos → luva na mão direita

A luva deve ficar justa, quase como uma segunda pele, mas sem cortar a circulação.

E felizmente é o investimento mais simpático do golfe: cerca de 10 a 15 euros.

Até aqui tudo controlado.

Mas depois de algumas aulas acontece algo inevitável:

começa a sentir o bichinho do golfe e é nesse momento que surge a grande decisão filosófica da modalidade:

Meio set… ou set completo?

Muitos começam por meio set.

Mas se o entusiasmo for sério, há uma forte probabilidade de mais tarde querer completar o resto.

Portanto, se o vício já começou… talvez valha a pena ir logo para o essencial.

Um primeiro set deve incluir:

Driver

Madeira ou híbrido

Conjunto de ferros (normalmente do ferro 5 ao pitching wedge)

Sand wedge

Putter

E claro, os acessórios obrigatórios do golfista civilizado:

saco de golfe

toalha

bolas

tees

reparador de pitch-mark

marcador de bola

Porque no golfe até levantar uma bola do green tem etiqueta própria.

Agora vem a grande pergunta:

Material novo ou usado?

A minha opinião é simples: usado de boa qualidade.

E por uma razão lógica: o seu golfe vai evoluir.

E quando evoluir… vai querer trocar de tacos.

Por isso gastar uma pequena fortuna no início raramente compensa.

Também não vale a pena fazer fitting completo nesta fase.

Primeiro convém bater na bola com alguma consistência… depois logo se afina o detalhe.

A única exceção é se for muito alto ou muito baixo — nesse caso o treinador facilmente percebe se precisa de tacos com comprimento diferente.

Para simplificar a escolha:

1- Ferros:

Opte por marcas conhecidas como Callaway, Ping, Titleist, Taylormade, Mizuno, Srixon, Cobra, Cleveland ou Wilson Staff.

Escolha modelos cavity back, que perdoam mais erros.

Evite blades no início.

Blades são tacos bonitos e bons… mas para jogadores profissionais ou de um dígito de handicap.

Se for um jogador sénior com mais de 50 anos aconselho varetas de grafite regular, se for jovem varetas de aço regular.

Um bom conjunto de ferros usados pode custar cerca de 150 a 200 euros.

2- Driver:

Na escolha de driver procure ter um loft de mais de 10⁰ com varetas flexíveis (regular) e leves com o peso próximo das 50 gramas para um jogador sénior e 65 gramas num jogador jovem.

Drivers usados de boa qualidade rondam 80 a 100 euros.

3- Sand Wedge: 

Entre 54º e 58º (o clássico é o 56º).

Um bom wedge usado pode custar cerca de 40 euros.

4- Putter:

Aqui entra a parte emocional do golfe.

Existem dois grandes estilos:

Blade (clássico)

Mallet (mais moderno)

O clássico Ping Anser, inventado em 1966, continua até hoje a ganhar torneios profissionais.

Não é má credencial.

Um bom putter usado pode custar cerca de 50 euros.

Mas atenção a um detalhe muito ignorado:

o comprimento do putter.

Cerca de 90% dos amadores joga com um putter demasiado comprido.

No circuito profissional a média anda nas 33 polegadas.

Nas lojas vendem-se sobretudo de 35 ou 36.

Curioso, não é?

5- Saco de golfe:

Para começar, o ideal é um saco leve com pernas (tripé).

Marcas boas incluem Ping, Sun Mountain, Titleist, Callaway, Ogio ou Taylormade — mas até a Inesis tem boas opções.

Um saco usado em bom estado pode custar cerca de 70 euros.

6- Sapatos:

Quando começar a jogar no campo, os sapatos passam a ser indispensáveis.

Se quiser começar sem gastar muito, os da Inesis rondam os 50 euros.

Se quiser mais estilo, as referências clássicas são Ecco, FootJoy, Adidas ou Lambda.

7- Bolas:

No início… bolas usadas chegam perfeitamente.

Aliás, jogar com bolas caras como Titleist Pro V1 quando ainda estamos a perder três por buraco é quase um gesto de filantropia para a natureza.

Bolas usadas custam cerca de 50 cêntimos.

Mas atenção: nunca usar bolas do driving range no campo.

É proibido… e os marcadores reparam, é vergonhoso!

Onde comprar material usado?

Sites como OLX podem ter boas oportunidades.

Mas convém fazer algumas perguntas simples:

porque está a vender?

onde jogava?

qual era o handicap?

Se quiser ir mais longe pode até pedir o número de federado e confirmar no site da federação.

Em cinco minutos percebe se está a falar com um golfista… ou com alguém que “achou” material interessante.

Também muitas lojas de golfe vendem material usado já verificado.

No final das contas, é perfeitamente possível montar um set completo de boa qualidade por cerca de 300 euros.

Comparado com um set novo topo de gama — que facilmente ultrapassa 2000 euros — é quase uma lição de gestão financeira.

E a verdade é esta:

No golfe moderno houve grandes evoluções em drivers e bolas.

Mas muitos ferros feitos depois dos anos 2000 continuam excelentes.

E no caso dos putters, muitos dos designs usados hoje nasceram há mais de 50 anos.

Portanto não se preocupe demasiado com o material.

Porque há uma verdade universal no golfe:

os tacos raramente são o problema. 

Como diz o outro, não sabem dançar e a culpa é dos sapatos... Ou da sala que está torta! 

No golfe as desculpas podem até ser muitas, mas pelo material depois de ler isto já não tem desculpa.

Boas tacadas!

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