Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas do Golfe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas do Golfe. Mostrar todas as mensagens

28/03/2026

Crónicas do Golfe #5: A primeira volta ao Campo

A primeira vez num campo de golfe nunca se esquece.

É um misto de entusiasmo, nervosismo e… uma ligeira sensação de “que estou aqui a fazer?”.

Depois de algumas aulas no driving range, onde tudo parece relativamente controlado, o campo de golfe apresenta-se como um mundo completamente diferente. De repente, já não há tapetes direitos, bolas perfeitas nem tempo ilimitado. Há relva natural, inclinações, obstáculos, pessoas a observar… e regras que parecem surgir de todos os lados.

Para um iniciante, o maior desafio não é técnico — é mental.

É lidar com a pressão de jogar mais devagar do que os outros, de falhar pancadas simples, de perder bolas, de não saber exatamente onde se deve estar ou o que se deve fazer a seguir.

Cada buraco parece um teste novo.

A saída no tee causa tensão, o ferro que no treino saía direito agora insiste em ir para o lado errado, e o green… bem, o green parece sempre muito maior na televisão do que na vida real.

Mas há algo importante que poucos dizem: todos os golfistas passaram por isto.

A primeira volta no campo é confusa para todos. É normal sentir-se deslocado, cometer erros de etiqueta, escolher mal o taco ou precisar de várias pancadas para chegar ao green.

O campo de golfe não perdoa, mas também ensina. Ensina humildade, paciência e respeito pelo jogo. Mostra-nos que o golfe não é sobre perfeição, mas sobre adaptação. Cada pancada é uma nova oportunidade de aprender — não de provar nada a ninguém.

Para quem está a começar, o segredo é simples:

jogar com expectativas baixas, observar mais do que falar, respeitar o ritmo do jogo e, acima de tudo, aproveitar a experiência.

Porque aquele nervosismo da primeira vez, aquelas pancadas falhadas e até aquela bola perdida… fazem parte da história de qualquer golfista.

E um dia, mais tarde, quando já estiveres confortável no campo, vais olhar para trás e sorrir.

Porque foi ali, nessa primeira volta difícil, que o golfe começou realmente para ti.

E depois dessa experiência o truque é simples:

intercalar o driving range com o campo.

Um para treinar, o outro para… sofrer com dignidade.

Mas para minimizar o sofrimento, há aqui algumas estratégias quase de sobrevivência:

Primeiro: escolhe bem os parceiros.

Evita jogar com alguém que diz coisas como “isso é psicológico” depois do teu quinto slice consecutivo.

Procura alguém paciente. Alguém que já tenha passado por isto e que, idealmente, ainda tenha amigos.

Segundo: horários calmos.

Nada de ir sábado às 10 da manhã, cheio de confiança e zero experiência.

Vai quando o campo está vazio. Assim, quando fizeres 9 pancadas num par 3… ninguém vê. Ou pelo menos… menos gente.

Terceiro: campos fáceis.

Planos, tranquilos, simpáticos.

Não precisas de um campo que te humilhe. Isso já o jogo faz naturalmente.

Mas no meio de tudo isto, há uma skill que ninguém treina no driving range:

saber estar no campo.

Onde ficar, quando jogar, quando desistir daquela bola impossível…

e, muito importante, manter o ritmo de jogo.

Porque no golfe há duas coisas imperdoáveis:

jogar mal… e jogar devagar.

Jogar mal, toda a gente perdoa.

Jogar devagar… nem sempre sais vivo.

E com o tempo, vais melhorando.

Começas a perder menos bolas… ou pelo menos a aceitá-lo melhor.

Começas a perceber o jogo, o ritmo, o ambiente.

E um dia dás por ti a olhar para um iniciante…

e a pensar: “coitado… nem imagina.”

Mas a verdade é esta:

todos começámos exatamente assim.

Confusos, nervosos… e com uma fé absurda de que aquela próxima pancada é que vai ser perfeita.

E sabes que mais?

Às vezes… até é.

15/03/2026

Crónicas do Golfe #3 - Curso de iniciação




Após a primeira experiência de golfe surge quase sempre um pensamento… perigoso.

“Eu acho que já posso ir para o campo.”

É um pensamento clássico.

Normalmente aparece depois de três boas pancadas seguidas no driving range.

Ou depois de um amigo muito otimista dizer:

“Isso já está ótimo… vamos jogar!”

E é precisamente aqui que entra uma das melhores invenções do golfe:

o curso de iniciação.

Porque no golfe existe uma pequena diferença entre acertar na bola… e saber jogar golfe.

É nestes cursos que se descobre que afinal existe bastante ciência por trás daquele movimento aparentemente simples.

Primeira surpresa: a postura.

De repente percebemos que jogar golfe não é simplesmente dobrar as costas e bater na bola.

Há ângulos, equilíbrio, peso distribuído…

Quase parece uma aula de yoga.

Só que com tacos.

Depois vem o stance — onde colocar os pés.

À primeira vista parece algo simples.

Mas é o tipo de detalhe que consegue transformar uma tacada elegante numa bola que decide ir visitar… o estacionamento.

Ou a esplanada do club house.

Segue-se o grip.

Segurar num taco parece trivial…

até descobrirmos que existe uma forma correta de o fazer…

e várias formas criativas de fazer tudo completamente errado.

E quando já estamos a pensar que o golfe se resume a dar pancadas na bola, descobrimos que afinal existem vários tipos de tacadas.

O putting — quando a bola já está no green e rola tranquilamente em direção ao buraco… ou passa um metro ao lado.

O chipping — aquela pancadinha delicada perto do green, que voa pouco e rola depois.

O pitching — uma pancada de aproximação com voo mais alto, que aterra no green e trava rapidamente.

E claro, o famoso full swing — a tacada completa…

que às vezes é tudo menos completa.

Ou seja, aquilo que parecia um gesto simples transforma-se numa verdadeira coleção de movimentos, cada um com a sua técnica, o seu timing…

e as suas surpresas.

Para ajudar quem começa, existe até um programa muito bem pensado da Federação Portuguesa de Golfe: as famosas “9 semanas e meia”.

Sim, o nome lembra imediatamente um certo filme clássico…

mas neste caso o romance é com o golfe.

Durante estes cursos — em grupo ou individualmente — os novos jogadores vão descobrindo, passo a passo:

como bater melhor na bola

como controlar a direção

como jogar perto do buraco

e, talvez ainda mais importante…

como sobreviver psicologicamente a uma má pancada.

Porque um curso de iniciação não serve apenas para ensinar técnica.

Serve para algo ainda mais importante:

evitar sofrimento desnecessário no campo.

Sem essas bases, ir diretamente para um campo de golfe pode ser uma experiência… educativa.

Para o próprio…

e um filme de terror para todos os que estão a jogar atrás.

No fundo, fazer um curso de iniciação é como aprender a conduzir antes de entrar numa autoestrada.

E depois de terminado o curso, há uma coisa que é quase garantida:

a bola continua a fazer coisas estranhas…

Mas pelo menos já sabemos porquê.

E no golfe…

isso já é metade do caminho.