13/03/2026

Crónicas do Golfe - Episódio 2: Os que desistem e os que persistem



Depois da primeira aula de golfe acontece uma coisa curiosa: as pessoas dividem-se em dois grupos muito distintos.

Os que dizem:
“Foi giro, temos de repetir um dia destes.”

E os que dizem:
“Quando é a próxima aula?”

É uma diferença subtil… mas decisiva.

Porque experimentar golfe é fácil. Continuar é outra história.

O primeiro obstáculo costuma ser o mais visível: o equipamento. De repente descobre-se que não basta “um taco e uma bola”. Há drivers, ferros, wedges, putters, sacos, luvas, tees… e aquela sensação de que, se não tivermos pelo menos metade da loja de golfe connosco, estamos mal preparados.

Depois vêm as aulas. Quem começa percebe rapidamente que melhorar sozinho é possível… mas difícil e demorado. As aulas ajudam, mas também obrigam a compromisso — de tempo e de investimento.

E depois aparece uma palavra que muitos principiantes nunca tinham ouvido: handicap.
Para quem está de fora, parece quase um código secreto necessário para entrar em certos campos.

Mas curiosamente, estes não são os obstáculos mais difíceis.

Os verdadeiros desafios são outros.

Falta de tempo.
Campos longe de casa.
Agendas que não encaixam.
A ideia de que “só vale a pena se alguém for jogar comigo”.

E aqui entra um dos grandes equívocos sobre o golfe: muita gente acha que precisa sempre de companhia.

Mas o golfe é provavelmente um dos desportos mais independentes que existem. Pode jogar-se sozinho, ao ritmo de cada um, sem depender de equipas, horários complicados ou adversários disponíveis.

O problema é que jogar sozinho exige uma coisa rara: iniciativa.

E depois há o fator mais silencioso de todos: a frustração.

Porque no golfe ninguém melhora de forma linear. Um dia tudo corre bem. No seguinte parece que nunca agarramos num taco de golfe. É um desporto que testa a paciência, a persistência e a capacidade de rir de nós próprios.

Algumas pessoas não gostam dessa sensação.

Outras… ficam fascinadas por ela.

São essas que continuam. As que aceitam que o golfe não é sobre perfeição, mas sobre progresso. As que conseguem sair do campo depois de 100 pancadas e ainda assim lembrar-se daquele único ferro perfeito que valeu a pena.

E sem dar por isso, essas pessoas começam a organizar o tempo de forma diferente. Arranjam maneira de passar pelo campo “só meia horinha”. Começam a reconhecer os mesmos rostos no clube. E um dia percebem que o golfe já não é apenas uma experiência.

Passou a ser um hábito.

Ou, como muitos golfistas gostam de dizer…
um pequeno vício saudável.

E assim, discretamente, nasce mais um jogador de golfe.

Carlos Louro Guerreiro - Treinador de Golfe

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