13/03/2026

Crónicas do Golfe - Episódio 1: A primeira aula de golfe


Toda a gente que vai à primeira aula de golfe acha que já percebe qualquer coisa do assunto.

Afinal, já viu golfe na televisão. Já viu aquele movimento elegante, o jogador a rodar, a bola a sair perfeita e a desaparecer no horizonte. “Isto parece tranquilo”, pensam. “É só dar uma pancada na bola.”

Não é.

O primeiro sinal de que a expectativa não bate certo com a realidade é a roupa. Há sempre alguém que aparece como se fosse jogar o Masters: polo impecável, boné novo, luva branca. Parece que vai entrar diretamente para o circuito profissional.

Depois há o outro extremo: o que aparece de ténis de corrida, t-shirt de ginásio e a ideia firme de que golfe “não é bem desporto”. Cinco swings depois já está a suar e a perceber que afinal mexe com músculos que nem sabia que existiam.

E então chega o momento mágico: a primeira tentativa.

A pessoa aproxima-se da bola com confiança. Alinha o corpo. Olha para a bandeira como quem já imagina a trajetória perfeita. Faz um swing cheio de convicção…

…e falha a bola.

Ou acerta no chão primeiro. Ou a bola anda dois metros e meio. Ou vai tanto para o lado que desaparece das laterais do Driving Range.

É aqui que começa a verdadeira iniciação ao golfe: a descoberta de que a bola está parada… e mesmo assim é difícil acertar-lhe bem.

Mas também é aqui que nasce o vício.

Porque, de repente, no meio de várias tentativas estranhas, acontece um momento raro: um contacto limpo, a bola sobe bonita, voa direita e durante dois segundos a pessoa sente-se um génio do desporto.

E pensa:

“Ok… afinal eu tenho jeito para isto.”

Mal sabe ela que o golfe tem uma habilidade extraordinária: dar-nos exatamente um bom golpe suficiente para voltarmos no dia seguinte.

E assim começam muitas histórias no golfe — não com perfeição, mas com uma mistura maravilhosa de expectativa, humildade e aquela primeira bola que finalmente voa como imaginámos.

No fundo, a primeira aula de golfe ensina duas coisas muito depressa:

O golfe é muito mais difícil do que parece.

E muito mais divertido também.

Carlos Louro Guerreiro 

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