Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas do Golfe. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Crónicas do Golfe. Mostrar todas as mensagens

15/03/2026

Crónicas do Golfe #3 - Curso de iniciação




Após a primeira experiência de golfe surge quase sempre um pensamento… perigoso.

“Eu acho que já posso ir para o campo.”

É um pensamento clássico.

Normalmente aparece depois de três boas pancadas seguidas no driving range.

Ou depois de um amigo muito otimista dizer:

“Isso já está ótimo… vamos jogar!”

E é precisamente aqui que entra uma das melhores invenções do golfe:

o curso de iniciação.

Porque no golfe existe uma pequena diferença entre acertar na bola… e saber jogar golfe.

É nestes cursos que se descobre que afinal existe bastante ciência por trás daquele movimento aparentemente simples.

Primeira surpresa: a postura.

De repente percebemos que jogar golfe não é simplesmente dobrar as costas e bater na bola.

Há ângulos, equilíbrio, peso distribuído…

Quase parece uma aula de yoga.

Só que com tacos.

Depois vem o stance — onde colocar os pés.

À primeira vista parece algo simples.

Mas é o tipo de detalhe que consegue transformar uma tacada elegante numa bola que decide ir visitar… o estacionamento.

Ou a esplanada do club house.

Segue-se o grip.

Segurar num taco parece trivial…

até descobrirmos que existe uma forma correta de o fazer…

e várias formas criativas de fazer tudo completamente errado.

E quando já estamos a pensar que o golfe se resume a dar pancadas na bola, descobrimos que afinal existem vários tipos de tacadas.

O putting — quando a bola já está no green e rola tranquilamente em direção ao buraco… ou passa um metro ao lado.

O chipping — aquela pancadinha delicada perto do green, que voa pouco e rola depois.

O pitching — uma pancada de aproximação com voo mais alto, que aterra no green e trava rapidamente.

E claro, o famoso full swing — a tacada completa…

que às vezes é tudo menos completa.

Ou seja, aquilo que parecia um gesto simples transforma-se numa verdadeira coleção de movimentos, cada um com a sua técnica, o seu timing…

e as suas surpresas.

Para ajudar quem começa, existe até um programa muito bem pensado da Federação Portuguesa de Golfe: as famosas “9 semanas e meia”.

Sim, o nome lembra imediatamente um certo filme clássico…

mas neste caso o romance é com o golfe.

Durante estes cursos — em grupo ou individualmente — os novos jogadores vão descobrindo, passo a passo:

como bater melhor na bola

como controlar a direção

como jogar perto do buraco

e, talvez ainda mais importante…

como sobreviver psicologicamente a uma má pancada.

Porque um curso de iniciação não serve apenas para ensinar técnica.

Serve para algo ainda mais importante:

evitar sofrimento desnecessário no campo.

Sem essas bases, ir diretamente para um campo de golfe pode ser uma experiência… educativa.

Para o próprio…

e um filme de terror para todos os que estão a jogar atrás.

No fundo, fazer um curso de iniciação é como aprender a conduzir antes de entrar numa autoestrada.

E depois de terminado o curso, há uma coisa que é quase garantida:

a bola continua a fazer coisas estranhas…

Mas pelo menos já sabemos porquê.

E no golfe…

isso já é metade do caminho.